terça-feira, 9 de outubro de 2012


 OLHO SOBRE TELA

Todo ser vivo.
Andante, escorregante, nadante e voante,
Tem um destino.

Pode Pisar forte nesse caminho,
Ir para onde o vento te levar.

Isto seria ser levada forçosamente por uma tempestade,
É morrer no mar sem ar.

Sempre que puder, mude o seu destino,
Não ir mais para onde o vento apontar.

Se todo mundo que ser igual ao José,
Prefiro então: ser um eterno João.

Mas se você que ficar,
Que fique atravessada em seu edredom,
Se vista de sol,
Saia descalça.

Num imenso chão – casa grande abandonada,
Adentra essa imensa oca construída,
Avista essa fogueira, piraúba sendo preparada,
Num quadro-óleo sobre tela,
Dali na parede.
Café ao cobertor.
Filme preto-braco no anil.
Leminski entre os seus dedos.

Eita menina danada!
Sai voando deixando saudades em meu coração.

Eu já mudei o meu destino,
Não vou mais onde a voz me levar.

E se todo mundo que ser igual ao José,
Prefiro então: ser um terno João.

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