GRANADAS
E SEMENTES. 02 – A FALSA QUESTÃO KANTIANA
No
início tudo era “ausência de qualquer coisa”.
Mesmo
“qualquer coisa”, significa presença da ausência.
Limito-me
a classificar o “nada” como simplesmente, nada.
Limito-me
em minhas lamentações da matéria.
Esse
nada se torna angustia.
Como
conceber o nada? Pergunto eu.
O nada
existe por si só? O que é afinal o “antes nada”, antimatéria?
Semente
de pêssego em meu jardim.
Vazio
absoluto.
Porta
retrato.
Vácuo
e vazio ingrato.
Caminhava
o em seu jardim segurando um copo de café.
A vontade
de assassinar formigas era imensa,
Assim
como o pé de pêssego morto pelas formigas,
Responsabilidade
civil-criminal dos pequenos seres.
As
últimas folhas caiam no terreno do vizinho,
E a
brisa sacudia o varal, levando o vestido de bolinha.
Como
pode um dia ter existido o nada?
Existido? - questionava-se.
Sentia
na pele o ataque medíocre da formiga,
Segurava-a com uma mão e decapitava-a com outros dedos;
Cabeça
de formiga na mão.
Ela
se perde no nada;
Ele
sucumbe a ausência de qualquer coisa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário