quarta-feira, 10 de outubro de 2012


GRANADAS E SEMENTES. 02 – A FALSA QUESTÃO KANTIANA

No início tudo era “ausência de qualquer coisa”.
Mesmo “qualquer coisa”, significa presença da ausência.
Limito-me a classificar o “nada” como simplesmente, nada.
Limito-me em minhas lamentações da matéria.

Esse nada se torna angustia.
Como conceber o nada? Pergunto eu.
O nada existe por si só? O que é afinal o “antes nada”, antimatéria?
Semente de pêssego em meu jardim.
Vazio absoluto.
Porta retrato.
Vácuo e vazio ingrato.

 Caminhava o em seu jardim segurando um copo de café.
A vontade de assassinar formigas era imensa,
Assim como o pé de pêssego morto pelas formigas,
Responsabilidade civil-criminal dos pequenos seres.
As últimas folhas caiam no terreno do vizinho,
E a brisa sacudia o varal, levando o vestido de bolinha.

Como pode um dia ter existido o nada?
Existido? - questionava-se. 
Sentia na pele o ataque medíocre da formiga,
Segurava-a com uma mão e decapitava-a com outros dedos;
Cabeça de formiga na mão.
Ela se perde no nada;
Ele sucumbe a ausência de qualquer coisa.

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