domingo, 27 de maio de 2012

PERSONA

Não é de tudo errado;
Achar errado;
E tão ruim;
Ver tua boca;
Na boca de outro alguém qualquer.

Minha menina é linda.

E toda vez que sua pele;
Toca a pele de outro alguém;
O destino grita.

terça-feira, 22 de maio de 2012

BIOGRAFIA

As lembranças de toda uma vida acumulam-se na sala;
Mesmo com uma luz naturalmente fraca e parede mofada, Existem fotos borradas.

Na dispensa esquecida não há alimentos, muito menos toalha de mesa com desenhos de frutas.

Essas almas carentes sobrevivem ingerindo acontecimentos - Experiências mundanas passadas.

Os canos estourados ejaculam diariamente prazeres carnais nos quartos a muito tempo abandonados.

A cortina velha ainda impede a luz do sol, onde uma família de gatos se aconchega no assoalho; Enquanto outro perspicaz se delicia com um rato.

Um triciclo sem rodas enferrujado indica criança;
Um menino vestido de pirata no seu quinto aniversário, observa o destino pelas mãos;
Sem saber que o mundo não é lugar seguro para a sua solidão.

Aos poucos a casa se perde oxidando-se;
Uma bomba não detonada é moradia segura para as eternas baratas.

De vez em quando a paz é interrompida pela queda iminente de uma parede cansada;
Concreto no chão, tijolo vira terra e a terra vira som – ecoando pelo mundo;
Se fazendo em uma simbiose infinita, uma mistura perfeita de mundo com fungos;
Renovando o que de vez-em-quando-sempre costumávamos chamar de vida.

O jardim planificado aos poucos é tomado pelo mato;
As rosas abandonadas agora lutam com ervas daninhas por espaço;
Nas ruas vazias não há barulhos, movimentos, fast food, nem carros.

Manequins são poucas coisas que se pode ligar ao passado
Movimentos estáticos de corpos jogados ao acaso.

Na esquina: és a hora que aparece um velho;
fugindo lentamente de outros velhos;
Perseguidos desde o berço por seus entes.

Adormecem juntos e separados rumo ao desconhecido;
Todos marchando nas ruas de um mundo habitado por um monstro;
Um ser feroz que faz enferrujar o aço;
Corroer os ossos, degradar a matéria;
Inviolável;
Insuperável;
Tempo. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012


A MONTANHA, O ANJO E NÓS

Não adianta!!
Não consigo transpor para essa folha desnuda;
Nenhum sentimento carnal ou qualquer frase que expresse meu amor.

Sou frio como aquele anjo cujo às asas congeladas;
O fez cair no grande rio de lagrimas.
Desmaiou-se em solidão como o homem da montanha;
Que só tem a brisa para tocar a pele.

Antes que ele tocasse a trombeta e voltasse aos céus;
Afogou-se com a raiva do mundo no rio formado;
Pela tristeza de minha face salgada;
Alimentado diariamente por minhas lagrimas.

Quis o destino que eu fosse o moço das lagrimas;
Irrigando as veias do planeta com minha tristeza.
Quis os montes que eu corresse sem destino através desses horizontes;
Perdendo-me num mar infinito de ilusões profundas.

Se eu pudesse escolher...
Queria ser a malagueta – pimenta;
E arder forte como o capeta;
Causando efeito afrodisíaco em tua boca.

De mim farias poções;
Imitaria ridiculamente com as mãos um coração.
Seria melosa dizendo meu nome no diminutivo;
Gastaríamos horas de nossas vidas preciosas;
Nos cinemas, teatros e cafés.
Cuidaríamos felizes de nossa sala;
E aos finais de semana faríamos as malas.

Iríamos acampar na beira do grande e longo rio;
E encontraríamos o anjo salgado – em decomposição;
Morto por essas mesmas mãos que sente o vento;
Por essas mesmas mãos que estraga quase que por querer;
O que seria um lindo poema de amor. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

BAR

A lua na calada da noite;
Anuncia mais um festival de estigmas nesse local.

A fachada é ponto cult de jovens intelectuais;
Pseudo-marginais com copos americanos, pingas - baratas pisadas.

Alguns livres do todo mundano ou apenas coitados estigmatizados;
Com seus personagens folclóricos, bizarros em ilusões juvenis.

Vultos bucólicos em volta de grupos dentro de outros grupos;
São aparentados nas manchetes de jornais.

De vez em quando junta-se um ou outro desavisado no local;
Se assustando com a sujeira decimal de palavras e higiene dos indigentes.

Muitas e poucas são as sombras de pré-adolescentes em seus tênis de marca;
Ostentando orgulhosamente calças, orelhas, línguas e outras partes furadas.
Existe uma guerra sem fim com seus “eu`s”;
Perdido na menor parte cabível de suas vidas ingratas.
– Gente semi-hormonal – pele de cordeiro é um menino animal.
- Uma moça é raposa felpuda - Perdendo com pequenas prestações de finais de semana; 
Sua falsa inocência nas sombras dessas ruas imundas.

segunda-feira, 14 de maio de 2012


ÉBRIO 


O calendário lunar < Mai 12 21:46 Quarto Minguante >
Deixa a lua com um aspecto brilhantemente afiada.

Como estourar um balão ao tocar sua ponta;
Como ver o reflexo no copo de Whisky;
Não pelo seu brilho - não é ainda cheia;
Mas o reflexo é a única coisa que posso ver;
Diante de tanta gente;
Diante de tanto som;
Tantas falas;
Luzes.

Sinto-me em um diálogo;

Eu, a lua e o copo de whisky.

MORALIDADE 


Ao sair de casa ando por essas calçadas limpas, com pessoas limpas;
Lembrando que nesse peito bate um coração sonhador.

A limpidez das ruas é rapidamente rabiscada pela imaginação mutante;
Imaginando logo pessoas coloridas, carros voadores;
Muitas tintas, crianças errantes e gigantes;
Disputando espaço nas ruas estreitas, nos becos largos e bares com velhos descalços em seus ternos borrados.

Acordar de um sonho por causa de uma porta aberta repentinamente;
Faz-me lembrar porque não dormir virado do lado esquerdo do corpo.

Explico: O peito esquerdo em contato direto com a cama, potencializa a sensação das batidas do coração – essas batidas entram nos sonhos – fazendo lembrar-se de coisas que o faz bater ainda mais depressa - Galopando. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012


RETIRANTE

No horizonte ao longe, bem longe...
Existem homens aos montes;
Afetados pelos horizontes das cidades grandes.

Esses homens bêbados, Esses montes cheios de calor;
Propagam nas viúvas abandonadas a ansiedade da chegada,
O sentimento mais que preciso da falta dos homens – de água.

Com seus pequenos barrigudos, melequentos e cadáveres – filhos;
Sem um homem que reconheça seu DNA; 
com uma bola - é cabeça de cabra - que possam brincar.

Ahh...

Esses montes insistem em tampar as vistas dessas mulheres sofridas;
Esse horizonte maldoso antecipa as horas do dia dessas senhoras.

E em suas estradas de terra, há muitas casas abandonadas;
Sem mulheres,sarnas,cabras ou portas; 
Apenas ruas vazias com curvas perigosas, retas que o sol desfaz com seu calor.

E nas curvas dessas mulheres;
Se perdem as lembranças do toque, do afago, 
Somem lentamente as marcas de porrada.
Da mão do homem calejada de enxada.