terça-feira, 28 de agosto de 2012


ÓRGÃO MALCRIADO

Sou todo involuntário quando te vejo.
Esse músculo irrigado,
Essa pele que a mão toca,
Esse peito aberto,
Coração.

POEMA COM O NOME AMOR


Quantos mil poemas podem ser feitos com amor?
Amor...
Amor                gastemos

Amor...
Amor                                      façamos

Amor...

stricto sensu.

Amor                  mais

Amor...
Amor                                             e            mais
Amor
Amor

Palavra.

DESFIGURO-ME

A boca cala o punho,
A gota cai na seda,
Acende essa lareira com gelo.

A linha tece o destino,
O homem mata o menino,
Desfaz-se oco como uma barata.

A boca a linha tece,
A gota o homem mata,
Acende esse punho de lata.

A seda me aprisiona,
Acendo esse menino,
Queimo-o por dentro segurando lagrimas. 


quarta-feira, 22 de agosto de 2012


PILHAS DE CORPOS

Vi lá longe essa alma caída;
desamparada, sofrida.
Serão as sombras assim...
Espectros de mim?
Essa alma que desejou os desejos infinitos;
Findou-se em vida.
Essa vida que sonhava com fatos impossíveis;
Estava ali no assoalho, destruído pela arte.
Meu eu inconsciente observa sem poder fazer nada;
Tudo simbólico, passivo, looping de desgraça;
Como um cinegrafista vivendo das tristezas da vida.

terça-feira, 14 de agosto de 2012


MEDUSA

Panis Et Circenses.
Refinando o produto,
Colocando nas ruas.
Refinando pessoas,
Deixando-as nuas.
Refinando pessoas refinadas,
Tridestiladas.
Panis.
Circenses.