OLHO SOBRE TELA
Todo ser vivo.
Andante, escorregante,
nadante e voante,
Tem um destino.
Pode Pisar forte nesse
caminho,
Ir para onde o vento te levar.
Isto seria ser levada forçosamente
por uma tempestade,
É morrer no mar sem ar.
Sempre que puder, mude o seu
destino,
Não ir mais para onde o
vento apontar.
Se todo mundo que ser igual
ao José,
Prefiro então: ser um eterno
João.
Mas se você que ficar,
Que fique atravessada em seu
edredom,
Se vista de sol,
Saia descalça.
Num imenso chão – casa grande
abandonada,
Adentra essa imensa oca
construída,
Avista essa fogueira,
piraúba sendo preparada,
Num quadro-óleo sobre
tela,
Dali na parede.
Café ao cobertor.
Filme preto-braco no anil.
Leminski entre os seus dedos.
Eita menina danada!
Sai voando deixando saudades
em meu coração.
Eu já mudei o meu destino,
Não vou mais onde a voz
me levar.
E se todo mundo que ser
igual ao José,
Prefiro então: ser um terno João.