quarta-feira, 31 de outubro de 2012

06:30 AM


Manchetes de jornais
Esperas 

Terminais 
Ana lê haicais

DIAMANTE

Arrisco dizer – “queimar de amor”
Diante de tanto grafite
Es que surge uma flor
BUCÓ...

Roedor vasculha a lixeira do mundo
Campo e cidade se completam
Gavião avista o rato Raimundo

NAS MELHORES FAMÍLIAS


Amigo apaixonado nem sei porquê

Entre possibilidades


Ela curte o lado B

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

FOLHA EM BRANCO

Há poemas por ai;
Em rostos.
Esquinas.

Na tradição da mesma mão;
No branco dos cabelos;
No arrepiar dos pelos;
Na prosa clichê.

Em epidermes suaves;
Enrugava-se experiência.

Em gente que você nunca vê;
Um poema a cada dia;
Transformando essa brisa;
Mirando os rostos.

Querendo, vendo os corpos – se chocarem;
 Voando com o olhar;
É uma permissão.
Poemas são tua tatuagem,

O Amor, tenho a impressão de já tê-lo visto.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

GRANADAS E SEMENTES. 13 – VIAGEM PROFÍCUA

Cai de beiço [onde?]
Selva com parreiras gigantes [ causa?]
Um empurrão foi o bastante para esquecer o vento [sorte!]
O paraquedas não abriu – diga-se de passagem – não flutuei nas nuvens.

Acordei com esse céu na face [tinha gosto de que?]
Não sei, vi o chão se mover – [Lentamente?]
Estava sendo carregado por muitas formigas [viu?]
Avistei bem longe uma estátua [grande?]
Não era nada desse mundo, nem do outro [era?]

Oniponte era o mármore...
O deus Ebreu,
Era um pigmeu,
De tanga!

domingo, 14 de outubro de 2012


GRANADAS E SEMENTES. 04 – CAMINHOS PERPÉTUOS

Esse caminho é tão curto.
Limpo.
Cuidadosamente limpo;
Entre seus lados vegetação rasteira.
Em algumas partes desses lados;
Cemitérios dos cansados;
Cuidadosamente ajeitados;
Uns sobre os outros.

Existe a mão que vai;
Procurando o alimento necessário.
A mão que vem;
Despejando a sobrevivência na morada.

Não há mais o que temer;
Formigas regulam a vida.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012


GRANADAS E SEMENTES. 02 – A FALSA QUESTÃO KANTIANA

No início tudo era “ausência de qualquer coisa”.
Mesmo “qualquer coisa”, significa presença da ausência.
Limito-me a classificar o “nada” como simplesmente, nada.
Limito-me em minhas lamentações da matéria.

Esse nada se torna angustia.
Como conceber o nada? Pergunto eu.
O nada existe por si só? O que é afinal o “antes nada”, antimatéria?
Semente de pêssego em meu jardim.
Vazio absoluto.
Porta retrato.
Vácuo e vazio ingrato.

 Caminhava o em seu jardim segurando um copo de café.
A vontade de assassinar formigas era imensa,
Assim como o pé de pêssego morto pelas formigas,
Responsabilidade civil-criminal dos pequenos seres.
As últimas folhas caiam no terreno do vizinho,
E a brisa sacudia o varal, levando o vestido de bolinha.

Como pode um dia ter existido o nada?
Existido? - questionava-se. 
Sentia na pele o ataque medíocre da formiga,
Segurava-a com uma mão e decapitava-a com outros dedos;
Cabeça de formiga na mão.
Ela se perde no nada;
Ele sucumbe a ausência de qualquer coisa.

terça-feira, 9 de outubro de 2012


 OLHO SOBRE TELA

Todo ser vivo.
Andante, escorregante, nadante e voante,
Tem um destino.

Pode Pisar forte nesse caminho,
Ir para onde o vento te levar.

Isto seria ser levada forçosamente por uma tempestade,
É morrer no mar sem ar.

Sempre que puder, mude o seu destino,
Não ir mais para onde o vento apontar.

Se todo mundo que ser igual ao José,
Prefiro então: ser um eterno João.

Mas se você que ficar,
Que fique atravessada em seu edredom,
Se vista de sol,
Saia descalça.

Num imenso chão – casa grande abandonada,
Adentra essa imensa oca construída,
Avista essa fogueira, piraúba sendo preparada,
Num quadro-óleo sobre tela,
Dali na parede.
Café ao cobertor.
Filme preto-braco no anil.
Leminski entre os seus dedos.

Eita menina danada!
Sai voando deixando saudades em meu coração.

Eu já mudei o meu destino,
Não vou mais onde a voz me levar.

E se todo mundo que ser igual ao José,
Prefiro então: ser um terno João.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012


SUBTERFÚGIOS

Quem me dera escrever todos os anos.
Trinta poemas ao fim dos meses,
Escolher apenas um ao fim da década.

Em trinta anos teria uma escolha.
Uma maquina do tempo desenhada em agendas,
Passados rabiscados.

Teria hoje um tosco poema bonito.
Materializou-me nessas folhas,
Para ti ao fim da vida.