A MONTANHA, O ANJO E NÓS
Não adianta!!
Não consigo transpor para essa folha desnuda;
Nenhum sentimento carnal ou qualquer frase que expresse meu
amor.
Sou frio como aquele anjo cujo às asas congeladas;
O fez cair no grande rio de lagrimas.
Desmaiou-se em solidão como o homem da montanha;
Que só tem a brisa para tocar a pele.
Antes que ele tocasse a trombeta e voltasse aos céus;
Afogou-se com a raiva do mundo no rio formado;
Pela tristeza de minha face salgada;
Alimentado diariamente por minhas lagrimas.
Quis o destino que eu fosse o moço das lagrimas;
Irrigando as veias do planeta com minha tristeza.
Quis os montes que eu corresse sem destino através desses
horizontes;
Perdendo-me num mar infinito de ilusões profundas.
Se eu pudesse escolher...
Queria ser a malagueta – pimenta;
E arder forte como o capeta;
Causando efeito afrodisíaco em tua boca.
De mim farias poções;
Imitaria ridiculamente com as mãos um coração.
Seria melosa dizendo meu nome no diminutivo;
Gastaríamos horas de nossas vidas preciosas;
Nos cinemas, teatros e cafés.
Cuidaríamos felizes de nossa sala;
E aos finais de semana faríamos as malas.
Iríamos acampar na beira do grande e longo rio;
E encontraríamos o anjo salgado – em decomposição;
Morto por essas mesmas mãos que sente o vento;
Por essas mesmas mãos que estraga quase que por querer;
O que seria um lindo poema de amor.
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