BIOGRAFIA
As lembranças de toda uma vida acumulam-se na sala;
Mesmo com uma luz naturalmente fraca e parede mofada,
Existem fotos borradas.
Na dispensa esquecida não há alimentos, muito menos toalha
de mesa com desenhos de frutas.
Essas almas carentes sobrevivem ingerindo acontecimentos -
Experiências mundanas passadas.
Os canos estourados ejaculam diariamente prazeres carnais
nos quartos a muito tempo abandonados.
A cortina velha ainda impede a luz do sol, onde uma família
de gatos se aconchega no assoalho; Enquanto outro perspicaz se delicia com um
rato.
Um triciclo sem rodas enferrujado indica criança;
Um menino vestido de pirata no seu quinto aniversário,
observa o destino pelas mãos;
Sem saber que o mundo não é lugar seguro para a sua solidão.
Aos poucos a casa se perde oxidando-se;
Uma bomba não detonada é moradia segura para as eternas
baratas.
De vez em quando a paz é interrompida pela queda iminente de
uma parede cansada;
Concreto no chão, tijolo vira terra e a terra vira som –
ecoando pelo mundo;
Se fazendo em uma simbiose infinita, uma mistura perfeita de
mundo com fungos;
Renovando o que de vez-em-quando-sempre costumávamos chamar
de vida.
O jardim planificado aos poucos é tomado pelo mato;
As rosas abandonadas agora lutam com ervas daninhas por espaço;
Nas ruas vazias não há barulhos, movimentos, fast food, nem
carros.
Manequins são poucas coisas que se pode ligar ao passado
Movimentos estáticos de corpos jogados ao acaso.
Na esquina: és a hora que aparece um velho;
fugindo lentamente de outros velhos;
Perseguidos desde o berço por seus entes.
Adormecem juntos e separados rumo ao desconhecido;
Todos marchando nas ruas de um mundo habitado por um
monstro;
Um ser feroz que faz enferrujar o aço;
Corroer os ossos, degradar a matéria;
Inviolável;
Insuperável;
Tempo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário