terça-feira, 22 de maio de 2012

BIOGRAFIA

As lembranças de toda uma vida acumulam-se na sala;
Mesmo com uma luz naturalmente fraca e parede mofada, Existem fotos borradas.

Na dispensa esquecida não há alimentos, muito menos toalha de mesa com desenhos de frutas.

Essas almas carentes sobrevivem ingerindo acontecimentos - Experiências mundanas passadas.

Os canos estourados ejaculam diariamente prazeres carnais nos quartos a muito tempo abandonados.

A cortina velha ainda impede a luz do sol, onde uma família de gatos se aconchega no assoalho; Enquanto outro perspicaz se delicia com um rato.

Um triciclo sem rodas enferrujado indica criança;
Um menino vestido de pirata no seu quinto aniversário, observa o destino pelas mãos;
Sem saber que o mundo não é lugar seguro para a sua solidão.

Aos poucos a casa se perde oxidando-se;
Uma bomba não detonada é moradia segura para as eternas baratas.

De vez em quando a paz é interrompida pela queda iminente de uma parede cansada;
Concreto no chão, tijolo vira terra e a terra vira som – ecoando pelo mundo;
Se fazendo em uma simbiose infinita, uma mistura perfeita de mundo com fungos;
Renovando o que de vez-em-quando-sempre costumávamos chamar de vida.

O jardim planificado aos poucos é tomado pelo mato;
As rosas abandonadas agora lutam com ervas daninhas por espaço;
Nas ruas vazias não há barulhos, movimentos, fast food, nem carros.

Manequins são poucas coisas que se pode ligar ao passado
Movimentos estáticos de corpos jogados ao acaso.

Na esquina: és a hora que aparece um velho;
fugindo lentamente de outros velhos;
Perseguidos desde o berço por seus entes.

Adormecem juntos e separados rumo ao desconhecido;
Todos marchando nas ruas de um mundo habitado por um monstro;
Um ser feroz que faz enferrujar o aço;
Corroer os ossos, degradar a matéria;
Inviolável;
Insuperável;
Tempo. 

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