quarta-feira, 27 de junho de 2012


O MORIBUNDO


O homem barroco sisudo doente;
Tropeça nas escrituras-mudanças poentes.
O velho barbudo caduco sinistro;
Despede-se do mundo de regra obliquo.

- O estado de direito meu senhor!
- Esse que defendeu tua arvore!
- Agora jaz ao canto popular.

O rei virou bobo da corte;
O servo burguês.
Santo do pau-oco;
O divino homem-mundano outra vez.

E agora estamos na subversão;
Cortando cabeças, distribuindo riquezas;
Agora somos o poder – E quem me destes esse direito de ser?

De sonhos em sonhos;
Na cela mais punhos na cara.
Os  gritos escorrem pelo ralo;
A certeza do fim-hiatu dessa luta.
Mesmo que morras anonimamente;
Escreves o poema vermelho;
Com o sangue de tua unha;
Com a cor do teu ideal.

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