domingo, 24 de junho de 2012


LEMBRANÇAS ANTES DE ACORDAR


Tive sede na vontade de deixar meu sangue ralo;
E fazer sumir tudo ao meu ser as raízes exotéricas da minha raça.
O andar torto seguro em caminho mais que preciso-curto;
Gastou minhas sandálias usadas mantendo no meu pé o odor oponente de meu destino.

Ainda que adjunto ao meu pobre servo em alma urge-liberdade;
Crescendo grande e forte: homem explorado por outros semelhantes;
Com a certeza de um dia poder mudar a surra de cada dia e ver menos:
Sol quente e castigado nas lavouras de cana de açúcar-num só golpe;
Adoçando o mundo e o café de outros explorados como eu.

Não mais que tarde na estrada longa e vazia;
Olho para o passado e comprovo a exatidão da palavra saudade.
Viver anos sem ter vivido como deveria pensar;
Volto-me ali naquele local tomado por campos e casebres abandonados;
Sem varandas e cômodos cheios de espectros do meu passado.

Tentar ser exato na vida e nunca mais voltar;
Viver sem memória e morrer a cada dia sem existência;
Fazer sumir todos os calos da enxada é coexistir;
De tempos em tempos em cada rosto novo de criança abandonada. 

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